O Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) inaugura nesta quarta-feira (2), às 19h, a exposição Mulheres da Boca. A mostra gratuita apresenta fotografias inéditas produzidas durante as filmagens do documentário homônimo dirigido por Cida Aidar e Inês Castilho.
Lançado em 1981, o curta experimental registrou mulheres e diferentes aspectos do cotidiano da Boca do Lixo, região central de São Paulo que se tornou um dos principais polos do cinema independente brasileiro. Quarenta e cinco anos depois, o MIS recupera parte desse material e amplia a discussão sobre cinema, feminismo e memória urbana.
Wagner Carvalho fotografou os bastidores e as ruas da região durante a produção do documentário. Conservadas em negativos, as imagens passaram por restauração e digitalização conduzidas pela Cinelimite, com o apoio do Museu Soberano – Rua do Triunfo.
As fotografias mostram trabalhadoras do sexo, seus exploradores e a movimentação de um território onde conviviam prostituição, criminalidade e produção cinematográfica. Entretanto, a exposição não trata a Boca do Lixo apenas como cenário. Pelo contrário, procura compreender como aquele espaço influenciou os filmes, as relações sociais e as discussões sobre a condição feminina.
Exposição no MIS une cinema, feminismo e memória
Cida Aidar e Inês Castilho integraram uma geração de feministas que buscou usar o cinema para dar visibilidade a histórias normalmente afastadas dos registros oficiais. Dessa forma, o documentário apresentou mulheres que ocupavam as ruas e trabalhavam na região sem limitar suas experiências a um olhar externo.
A exposição reúne dezenas de fotografias e revisita essa iniciativa por meio dos registros de Wagner Carvalho. Além disso, uma programação de filmes e palestras acompanhará a mostra e ampliará as conversas iniciadas pelas imagens.
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Inês Castilho divide a curadoria com Marcelo Colaiácovo e William Plotnick. Castilho também participou da criação do jornal feminista Nós Mulheres e trabalhou como editora da revista Mulherio. No cinema, dirigiu ainda o curta Histerias, lançado em 1983.
Marcelo Colaiácovo, por sua vez, atua como cineasta, curador e fundador da Resistência Filmes. Ele também idealizou o Museu Soberano – Rua do Triunfo, projeto dedicado à preservação da memória do cinema paulista.
Já William Plotnick é arquivista audiovisual e cofundador da Cinelimite, organização que trabalha com a preservação e a circulação do cinema brasileiro. Portanto, a própria formação da equipe curatorial aproxima a exposição do trabalho de conservação do acervo.
Wagner Carvalho construiu uma trajetória ligada ao cinema brasileiro e participou de produções como Greve, O Homem que Virou Suco, A Próxima Vítima e Cidade Oculta. Além disso, costumava registrar fotograficamente os bastidores dos filmes dos quais participava.
A exposição Mulheres da Boca ocupa o Espaço Maureen Bisilliat, no MIS, localizado na Avenida Europa, 158, no Jardim Europa, em São Paulo. A entrada é gratuita, enquanto a classificação indicativa é de 16 anos.

















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