Poucas franquias combinam tanto com comida quanto One Piece. Entre banquetes, cozinheiros excêntricos e a filosofia de Sanji de nunca negar alimento a quem sente fome, a obra de Eiichiro Oda oferece o cenário perfeito para um simulador de restaurante. One Piece: Grand Gourmet entende essa conexão e entrega uma experiência carismática, acessível e repleta de referências aos fãs.
No entanto, o jogo também segue de perto a fórmula tradicional da Kairosoft. Consequentemente, a administração do restaurante perde profundidade diante de sistemas automáticos, pouca pressão financeira e uma progressão baseada principalmente em observar números aumentarem. O resultado diverte, sobretudo em sessões curtas, mas dificilmente satisfará quem procura um simulador gastronômico complexo.
LEIA TAMBÉM:
Fortnite terá crossover com One Piece; veja teaser do Going Merry
One Piece: Grand Gourmet transforma o Baratie em um império
A história começa quando impostores usam o nome do Baratie para administrar um restaurante de qualidade duvidosa. Por isso, Sanji, Luffy e o restante dos Chapéus de Palha precisam restaurar a reputação do estabelecimento e transformar o Baratie Número Dois no maior restaurante dos mares.
Embora a narrativa não apresente grandes surpresas, ela cumpre sua função. O roteiro conduz o jogador por diferentes regiões da Grand Line, apresenta personagens conhecidos e cria justificativas para desbloquear novos ingredientes, receitas e decorações.
Além disso, a estrutura respeita a personalidade dos integrantes da tripulação. Sanji assume a cozinha, Franky expande o navio, Usopp produz itens decorativos, Zoro treina a equipe e Nami ajuda a controlar os gastos. Essa integração representa uma das decisões mais inteligentes do projeto, pois transforma o elenco em parte real da administração, não apenas em figuras decorativas.
Uma rotina simples e confortável
O ciclo principal combina preparação de pratos, criação de cardápios, decoração do restaurante e expedições em busca de ingredientes. Inicialmente, basta escolher receitas, posicionar mesas e contratar funcionários para manter o negócio funcionando.
Com o avanço da campanha, porém, o jogador precisa combinar pratos que ofereçam bônus, considerar as preferências dos clientes e utilizar móveis capazes de melhorar o ambiente. Assim, a progressão introduz novas camadas sem transformar a experiência em uma sequência cansativa de menus.
Por outro lado, grande parte do restaurante funciona de maneira automática. Os funcionários atendem às mesas, Sanji prepara a comida e os clientes entram e saem sem exigir muita intervenção direta. Até mesmo as expedições seguem uma estrutura passiva: o jogador paga os custos, seleciona a equipe e espera pelo resultado.
Essa abordagem torna One Piece: Grand Gourmet excelente para partidas rápidas. Contudo, ela também reduz a sensação de comando. Os erros raramente provocam consequências graves, enquanto o dinheiro deixa de representar uma preocupação depois das primeiras horas.
LEIA TAMBÉM:
One Piece: Grand Gourmet é lançado para Switch, PC e celulares
O verdadeiro tesouro está nas referências
Se a gestão nem sempre oferece profundidade, o conteúdo dedicado aos fãs compensa parte dessa limitação. A Bandai Namco confirma mais de 400 personagens e 200 itens de decoração, incluindo objetos inspirados em Whole Cake Island, Egghead e outras regiões da série.
Além disso, personagens conhecidos podem trabalhar, visitar o restaurante ou se tornar clientes frequentes. Cada um possui preferências próprias, o que incentiva mudanças no cardápio e na decoração. As interações especiais também criam encontros improváveis entre figuras de diferentes fases da história.
O visual em pixel art fortalece esse apelo. A Kairosoft traduz personagens, alimentos e cenários para uma estética colorida, expressiva e imediatamente reconhecível. Mesmo quando a tela fica tomada por clientes, garçons e objetos, pequenas animações ajudam a preservar a personalidade caótica de One Piece.
Entretanto, a trilha sonora não acompanha o mesmo nível de cuidado. As músicas cumprem seu papel, mas apresentam pouca variedade e raramente alcançam a energia das cenas mais marcantes do anime.
Falta profundidade na cozinha
O maior problema surge na preparação das receitas. Apesar da presença de ingredientes, acompanhamentos e combinações especiais, o jogador não cozinha de maneira direta. Na prática, ele escolhe os componentes e acompanha Sanji realizar o trabalho.
Por isso, quem espera minijogos culinários ou controle detalhado sobre o preparo encontrará uma experiência distante de títulos como Cooking Mama e Overcooked. Grand Gourmet concentra suas decisões na administração, embora seus próprios sistemas econômicos também evitem punições mais severas.
Além disso, a interface nem sempre explica como melhorar determinados resultados. Alguns objetivos exigem mudanças específicas no cardápio ou no ambiente, mas o jogo esconde informações importantes entre diferentes menus. Desse modo, a tentativa de manter tudo simples ocasionalmente torna a progressão confusa.
LEIA TAMBÉM:
CCXP26 terá Luffys gigantes em atração imersiva de One Piece
Vale a pena jogar One Piece: Grand Gourmet?
One Piece: Grand Gourmet acerta ao abandonar as batalhas tradicionais e explorar uma parte importante do universo de Oda. A administração do Baratie combina naturalmente com Sanji, enquanto os demais Chapéus de Palha recebem funções coerentes dentro da progressão.
Além disso, o número de personagens e referências transforma cada desbloqueio em uma recompensa para quem acompanha o mangá ou o anime. O jogo também funciona bem em sessões curtas e não exige conhecimento prévio da franquia.
Por outro lado, a estrutura passiva, a economia permissiva e a falta de interação direta com a cozinha limitam a experiência. Portanto, quem busca um simulador profundo talvez abandone o restaurante antes da sobremesa.
Para fãs de One Piece e dos jogos da Kairosoft, porém, o título entrega uma aventura leve, carismática e confortável. Não se trata do banquete definitivo que a franquia poderia oferecer, mas existe carinho suficiente em cada prato para justificar uma visita ao Baratie Número Dois.
Ficha técnica
Título: One Piece: Grand Gourmet
Desenvolvedora: Kairosoft
Publicadora: Bandai Namco Entertainment
Gênero: Simulação e gerenciamento
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC, Android e iOS
Lançamento: 23 de outubro de 2026
Jogadores: Um
Idioma: Português brasileiro
Preço consultado: R$ 79,90 nos celulares; R$ 82,90 no PC; R$ 114,90 nos consoles Nintendo
Acompanhe o Repórter Geek no Instagram, no TikTok e em nosso canal no WhatsApp para receber críticas, notícias e novidades do mundo dos games.














Leave a Reply