Colocar Stuart Bloom no centro de uma série parecia uma escolha improvável. Durante The Big Bang Theory, o proprietário da loja de quadrinhos quase sempre ocupou o papel do sujeito solitário, endividado e constantemente esquecido pelo grupo. Entretanto, é justamente esse histórico de derrotas que oferece a Stuart Não Consegue Salvar o Universo sua melhor ideia em nossa crítica.
Na produção da HBO Max, Stuart quebra acidentalmente um dispositivo desenvolvido por Sheldon e Leonard. Consequentemente, uma crise multiversal ameaça destruir a realidade, obrigando o personagem a atravessar diferentes universos ao lado de Denise, Bert e Barry Kripke.
A premissa inicialmente parece apenas uma desculpa para recuperar personagens conhecidos. No entanto, conforme a temporada avança, o multiverso passa a representar as inseguranças de Stuart. Existem infinitas realidades, mas ele continua acreditando que está condenado ao fracasso em todas elas. Assim, a série transforma o fracasso em conflito emocional, dando ao protagonista uma profundidade que ele raramente recebeu anteriormente.
Crítica mostra que continuação com Stuart tenta algo diferente
Ao contrário dos outros derivados de The Big Bang Theory, a nova série não procura reproduzir diretamente a estrutura da produção original. O formato tradicional de sitcom gravada com várias câmeras dá lugar a uma aventura de ficção científica, com ação, efeitos visuais e constantes mudanças de cenário.
Por isso, Stuart Não Consegue Salvar o Universo desenvolve uma identidade visual própria. A série brinca com quadrinhos, filmes, super-heróis, viagens dimensionais e diferentes versões de personagens familiares. Além disso, cada realidade permite explorar uma nova combinação de personalidades, conflitos e referências à cultura nerd.
Entretanto, essa ambição cobra um preço. Os primeiros capítulos precisam apresentar tantas regras, aparelhos e conceitos que a comédia perde parte do ritmo. A estreia, principalmente, parece mais preocupada em explicar o funcionamento do multiverso do que em criar situações realmente engraçadas.
Esse é o começo mais fraco da temporada. Algumas piadas passam rápido demais, enquanto outras dependem de longas explicações para funcionar. Ainda assim, depois que a narrativa estabelece suas regras, os episódios ficam mais leves, absurdos e seguros.
Kevin Sussman finalmente ganha espaço
Kevin Sussman sustenta a série sem precisar modificar radicalmente o personagem. Stuart continua pessimista, socialmente desajeitado e preparado para esperar o pior de qualquer situação. Porém, agora essas características deixam de existir somente como piadas.
A produção reconhece que anos de rejeição, dificuldades financeiras e baixa autoestima deixaram marcas profundas no personagem. Dessa forma, salvar o universo também significa enfrentar a crença de que ele nunca será importante para ninguém.
Ao mesmo tempo, Denise ganha mais espaço como contraponto ao pessimismo de Stuart. Lauren Lapkus evita transformar a personagem apenas em um interesse amoroso e oferece firmeza ao grupo. A relação dos dois, inclusive, forma o coração emocional da temporada.
Brian Posehn também funciona bem como Bert, cuja ingenuidade cria alguns dos momentos mais divertidos. Já John Ross Bowie mantém Barry Kripke arrogante, inconveniente e convencido de sua própria superioridade. Contudo, algumas piadas envolvendo o personagem dependem diretamente da memória do público sobre The Big Bang Theory.
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A nostalgia ajuda e atrapalha
As participações de personagens conhecidos funcionam como uma grande recompensa para os fãs. Versões alternativas de Penny, Raj, Amy e Bernadette permitem que a série brinque com as expectativas construídas ao longo de várias temporadas.
Por outro lado, o excesso de nostalgia limita a narrativa. Sempre que um rosto conhecido aparece, a história interrompe parte de seu desenvolvimento para destacar a participação especial. Consequentemente, Stuart corre o risco de voltar a ser coadjuvante dentro da própria série.
Esse problema também afeta quem nunca acompanhou The Big Bang Theory. A produção explica o suficiente para que a aventura seja compreendida, mas não consegue reproduzir em poucos minutos a conexão emocional acumulada durante anos. Portanto, vários reencontros possuem mais impacto para os fãs antigos.
Ainda assim, o uso do multiverso evita que a temporada se transforme apenas em uma reunião nostálgica. As realidades alternativas permitem imaginar novos destinos para os personagens e questionar quais características permaneceriam mesmo em circunstâncias completamente diferentes.
A comédia nem sempre acompanha a ambição
Visualmente, Stuart Não Consegue Salvar o Universo é o projeto mais ousado da franquia. Entretanto, a qualidade das piadas não acompanha constantemente essa ambição. Algumas referências são inteligentes, enquanto outras parecem existir apenas para lembrar ao espectador que os personagens conhecem profundamente a cultura pop.
Além disso, o ritmo acelerado dificulta o desenvolvimento de determinadas ideias. A série apresenta um novo universo, cria um conflito, introduz participações e precisa resolver tudo dentro de episódios relativamente curtos. Como resultado, conceitos interessantes desaparecem antes de serem plenamente explorados.
No entanto, quando reduz o espetáculo e concentra a atenção no quarteto principal, a produção encontra seus melhores momentos. O humor funciona especialmente bem quando nasce das personalidades, das frustrações e das relações entre os personagens, e não somente de referências externas.
Após a crítica, vale a pena assistir a série do Stuart?
Stuart Não Consegue Salvar o Universo não aproveita completamente todas as possibilidades de sua premissa. A temporada apresenta problemas de ritmo, depende bastante do carinho por The Big Bang Theory e demora para estabelecer sua própria voz.
Contudo, a série merece crédito por recusar o caminho mais seguro. Em vez de simplesmente reproduzir a antiga sitcom, ela transforma um personagem secundário em protagonista de uma aventura visualmente criativa e emocionalmente honesta.
Além disso, Stuart revela-se uma escolha melhor do que parecia na crítica. Seu medo de nunca ser suficiente torna o multiverso pessoal: não importa quantas realidades existam, ele precisa acreditar que merece ocupar algum espaço em uma delas.
Por fim, a temporada termina mais confiante do que começou e deixa possibilidades interessantes para sua continuação. Stuart talvez realmente não consiga salvar o universo. Entretanto, consegue provar que possui força suficiente para sustentar uma série própria.














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